Pronto, já não é mais um monólogo... Mas sabe que do tempo pouco sei, pois as horas tem sido um falcão a mergulhar atrás de uma presa, do conhecimento. Ana D.Echabe

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Viagem

Um homem e uma mulher fazem uma viagem,que poderia ser a viagem da vida. Percorrem uma estrada e ao chegarem a uma encruzilhada escolhem um caminho, mas a meio desse caminho notam que se enganaram e tentam regressar à encruzilhada, mas já não a encontram e decidem continuar em frente... Chegam outra vez a uma parte da estrada em que têm de optar por uma colina com àrvores ou uma planície e resolvem subir a colina para poderem avistar todos os caminhos e encontrarem o certo para chegarem ao seu destino. Ao chegar lá avistam um homem e perguntam-lhe pela encruzilhada. O homem diz para esperarem um pouco que logo lhes indicava o caminho. Enquanto esperavam pediram ao homem que lhes indicasse onde podiam beber água. Quando voltaram da fonte, já o homem não estava lá. Decidiram voltar para o carro e ir na direcção que o homem lhes tinha indicado, mas quando chegaram ao lugar onde estava o carro já este havia desaparecido. Resolveram voltar ao lugar da água mas a fonte também já não existia. Seguiram a estrada e passado algum tempo encontraram uma casa, bateram á porta três vezes porque embora ninguém abrisse eles ouviam vozes dentro da casa. Acabaram por arrombar a porta mas não estava lá ninguém muito embora estivesse o lume acesso e a roupa estendida no arame. Decidiram voltar à estrada, mas a estrada já não existia, regressaram à casa mas esta tinha desaparecido. A mulher já estava desesperada e cansada, mas o homem insistiu para continuarem. Várias coisas encontraram pelo caminho mas quando voltavam atrás para ir buscá-las já estas haviam desaparecido. Chegaram à floresta, encontraram um lenhador que lhes indicou um caminho que mais uma vez não encontraram e quando voltaram para trás e também o lenhador já não se encontrava. Tentaram de novo encontrar a estrada, e mesmo perdidos um sentimento de felicidade tomou conta deles. Encontraram um rio onde nadaram muito, repousaram naquela terra que se parecia tanto com a terra para onde iam... Resolveram retomar a longa caminhada e começaram a ouvir vozes mas estas distanciavam-se à medida que eles se aproximavam até deixarem de ouvi-las. Chegaram ao fim da floresta, já era noite e não havia luz nenhuma a não ser a das estrelas, e aperceberam-se de que estavam perto de um abismo, tentaram seguir um carreiro que havia rente ao abismo mas o homem escorregou e deixou de responder à mulher. Esta tentou seguir o carreiro para procurar o homem, quando já não havia passagem tentou descer o abismo mas não havia como descer e apercebeu-se assim que já não tinha como sair dali e que acabaria por cair...

(Sophia de Mello Breyner Andersen)


9 comentários:

Pedrasnuas disse...

ANA DINIZ ...OLHA QUE DESTA VEZ SURPREENDESTE-ME A SÉRIO...E FOI BEM PELA POSITIVA...A RELAÇÃO ENTRE A FOTO, O TEXTO E O VÍDEO...TUDO PERFEITO...MUITO INTELIGENTE!!!

A VIAGEM...POIS...A VIAGEM...A SÚMULA DO CONTO MUITO BEM APANHADA...AFINAL ESTIVESTE MAIS ATENTA DO QUE EU JULGAVA...RSRS
E O QUE QUERÁ DIZER ESTA VIAGEM...ESTE VOLTAR AOS SÍTIOS E MAGICAMENTE IR PERDENDO TUDO...
PARA MIM,SIGNIFICA A VIDA...ESTE PERDER REFERE-SE QUE O DIA DE ONTEM NÃO SE REPETE,NÃO SE PODE VOLTAR AO PASSADO ...NADA PERMAMNECE IMUTÁVEL E MESMO QUE SE QUEIRA...NÃO SE CONSEGUE...O HOMEM E A MULHER DESEJAVAM ENCONTRAR O TAL LUGAR PARADISÍACO...TALVEZ PROCURASSEM O QUE NÃO EXISTE...ALCANÇAR A FELICIDADE....MAS ENTRETANTO QUANDO SE FICA OBCECADO PELA IDEIA PODE-SE IR PERDENDO O AQUI,O AGORA...A FELICIDADE NÃO É ETERNA, VIVEMOS MOMENTOS DE PLENA SATISFAÇÃO,DE GOZO,DE PAZ E TRANQUILIDADE...
O HOMEM MORREU E MULHER PROVAVELMENTE MORREU TAMBÉM SEM NUNCA TEREM CHEGADO AO LUGAR IDEALIZADO...SIMPLESMENTE PORQUE NÃO EXISTE DE FORMA PERMANENTE...

POR ACASO ADORO SOPHIA DE MELLO...DESDE MIÚDA...

TENS AQUI UM POST DE GRANDE QUALIDADE...

A FOTO À DIREITA ESTÁ MUITO BOA ...RSRS

FOI MUITO BOM TER ESTADO AQUI...

CARINHOSAMENTE

P.N.

ADiniz disse...

Pois... P.N
O seria de nosso crescimento se não fossemos surpreendidos, tal mostra o conto.
Buscar uma direção é uma ação natural do homem, ter esperança é criação do homem, desta forma ele se inventa e enfrenta suas opções, o caminho a percorrer.
A cegueira não necessariamente esta pelo desejo do futuro, como tentas dizer aqui, por um idealismo, mas por sombras de um passado, entregando suas escolhas a personagens do pretérito estreitando seu campo de visão ao ponto de obstruir o presente.
Como tudo na vida, não há amor feito.
Como bem diz Jean Paul Sartre...
“O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.”

A porta esta sempre aberta aos amigos e obrigada por suas gentis palavras.

Cynthia Lopes disse...

Ana, adorei o texto! às vezes a vida parece mesmo surreal, afinal não temos o "controle" e, sim o desejo, a vontade. bjs

Maria Dias disse...

Acabei de enviar uma mensagem será q chegou?

Maria Dias disse...

E percebi q nao foi...Bem, lembra da terra prometida de Ulisses quando lia este texto e pensava q todos devemos aproveitar a viagem(o aqui e o agora!).Se nao aproveitarmos o aqui e o agora pode ser tarde para voltar atrás...

Beijinho

Maria

Everson Russo disse...

Passagens e caminhos que a vida nos oferece...beijos querida amiga,,,obrigado pelo carinho da visita...

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Quando tudo enferruja, não há como perceber a vida do caminho que se passou.

JC

Vanuza Pantaleão disse...

Querida Ana Diniz,
Um conto surpreendente e que nos conduz a várias interpretações, principalmente, existencialistas.
O vídeo também se coaduna com a história.
E eu já estou com o pé nessa estrada...dizia uma antiga canção.
Obrigada por sua gentil visita ao nosso matinho verde. Quando lá voltares farei um chazinho, tá?
Verdejante final de semana, amiga!!!Bjsss

. intemporal . disse...

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. bel.íssima homenagem a Sophia que tão bem sabia ser a diva de todos os oceanos do mundo .

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. um bom.fim.de.semana .

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. um beijo meu .

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